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28 Feb

“A sociedade não está inerte”, diz reitora da Ufal sobre onda conservadora

Maria Val?ria afirmou que eventos como a Bienal do Livro servem também para a inserção das mulheres em lugares de decisão e na política

Diante do cenário político cada vez mais retrógrado no Brasil, com uma pauta que despreza a cultura, a ciência e o saber, eventos com temática cultural e de formação como as feiras literárias mobilizam diversos municípios do Estado esta época do ano. Um dos mais recentes e de maior porte, a Bienal do Livro de Alagoas, realizada pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) em parceria com os poderes público e privado, contribuem para manter o pensamento progressista à luz dos cidadãos e como reforço a edições futuras, apesar das dificuldades ora vigentes.

Para a reitora da Ufal, Maria Valéria Correia, há um pensamento conservador na conjuntura atual, mas também um pensamento progressista ativo e em efervescência no País. Ela cita como exemplo a última edição da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, quando houve uma tentativa de censura até mesmo por parte da prefeitura carioca, mas, de imediato uma forte reação em todo o Brasil.

“A sociedade não está inerte, está reagindo a toda essa onda conservadora. Aqui em Alagoas, a promoção da Bienal do Livro foi da UFAL juntamente com a prefeitura e o governo do Estado e outros parceiros. É a única do Brasil organizada por uma universidade pública e totalmente gratuita. Esta fórmula tem dado certo durante nove edições. Apesar da conjuntura que impõem dificuldades, sou otimista. A realização de eventos como a Bienal do Livro e outros estarão sempre na agenda dos que se interessam pela literatura, cultura, arte e conhecimento. É uma forma de resistência”, pontua a reitora.

Como balanço da bienal realizada pela primeira vez nas ruas e espaços do histórico bairro de Jaraguá, Valéria Correia considera que serviu para abrir portas, para levar conhecimento ao grande público de acervos como o do Arquivo Público, do Museu da Imagem e do Som (Misa) e da Associação Comercial, por exemplo. “A 9ª edição da Bienal caracterizou-se como uma feira literária com livros, cultura e arte na rua. É um marco histórico”, comemora.

Para a reitora, eventos como este servem também para a inserção das mulheres em lugares de decisão e na política, embora considere que ainda há muito a se fazer, para se atingir uma igualdade de gênero entre homens e mulheres, sobretudo, na ciência e na administração pública. Ela cita o caso da vereadora carioca Marielle Franco como violência motivada pela negação ao fato de que, por ser mulher, ter levantado a voz na política contra as injustiças.

“A execução de Marielle Franco tem sido nomeada por Renata Souza, em seus estudos de pós-doutorado, como feminicídio político, pois sua morte foi motivada por violência de gênero a uma mulher que incomodava o violento poder das milícias no Rio de Janeiro. Devemos continuar perguntando: quem mandou matar Marielle?”, pontua a educadora, que destaca ainda a posição da Ufal no meio acadêmico e de pesquisa no País.

“Em 2018, esta universidade obteve conceito ‘Muito Bom’ do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, do Ministério da Educação (INEP/MEC), por ocasião do primeiro processo de recredenciamento institucional, desde a sua criação em 1961. Tal conceito atestou a qualidade do trabalho construído e consolidado ao longo da história em diálogo com a sociedade. Em 2019, nesta linha de ascensão da qualidade acadêmica, a Ufal despontou entre as 11 universidades brasileiras que passaram a integrar um importante ranking britânico, o Times Higher Education. Neste mesmo ano, se destaca como a mais bem colocada, entre as universidades federais, na redução da evasão estudantil e no aumento do número de estudantes que finalizaram seus cursos. Resultado da valorização que se imprime ao sujeito discente nesta universidade e ao compromisso político com a Assistência Estudantil. A UFAL está presente na vida do povo alagoano”, considera Valéria Correia.

Por fim, mesmo diante de um quadro de conservadorismo e contra ao conhecimento pregado claramente em ações pelo atual governo do presidente Jair Bolsonaro, a reitora destaca o poder do livro e da leitura para a formação humana e cidadã e a ação das universidades e do conhecimento como meios ao desenvolvimento da Nação.

“Não há governo que sobreviva à promoção do anticonhecimento e dos ataques às universidades públicas. Observamos uma tendência ao anti-intelectualismo, ao anticonhecimento, à anticiência, e ao recrudescimento do conservadorismo, com tentativas de imposição de um pensamento único. Movimentos autoritários expressos nas perseguições a pesquisadores, ataques às universidades, como nas propostas da Escola sem Partido; do fim da filosofia e da sociologia nas universidades e nas escolas; da militarização das escolas públicas. Na contramão dessa tendência, as universidades, na vanguarda da produção do conhecimento e outros setores da sociedade, promovem ações que incentivam a liberdade e a autonomia, essenciais para a função civilizatória da ciência e da universidade. Sim! Os livros seguirão abertos e acessíveis, a leitura alimentará nosso pensamento sobre o mundo, a liberdade e a autonomia prevalecerão para a vida humanamente plena”, finaliza.

Fliara fortalece escritores, artistas e moradores em Arapiraca

Após cidades como Maceió, Palmeira dos Índios e Marechal Deodoro realizaram seus encontros literários, Arapiraca será a próxima sede a promover a segunda edição da Fliara – Feira Literária de Arapiraca. O lançamento do evento aconteceu na noite da última segunda-feira, na Casa da Cultura, com o 1º Encontro de Autores e Mediadores da Fliara.

A feira acontecerá de 27 a 30 de novembro, na praça Luís Pereira Lima, e em prédios públicos do local, com exposições de artistas como Albério Carvalho, que fará uma mostra retrospectiva da carreira e com obras inéditas e principalmente com mesas-redondas, palestras, oficinas, atividades de incentivo à leitura e shows musicais. Na lista de convidados estão a cantora e escritora mineira Fernanda Takay, os músicos alagoanos Júnior Almeida e Elaine Kundera, além de outros artistas locais.

“Destacamos a importância da formação de clubes de leituras, reforçados desde o ano passado com a realização da Fliara, a inclusão de autores locais e voluntários que se dedicam à execução da feira. Nesta edição, trabalhamos para reforçar políticas afirmativas para as mulheres e buscamos a retomada das ações do Memorial da Mulher de Arapiraca”, pontua Rosângela Carvalho, secretária municipal de Cultura, Lazer e Juventude.

Toda a programação da segunda edição da Fliara pode ser consultada no site da prefeitura, no endereço arapiraca.al.gov.br

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